domingo, 15 de maio de 2011

De Espanca para o mundo e de Mim para ele

IV


És tu!  És tu!  Sempre vieste, enfim!
Oiço de novo o riso dos teus passos!
És tu que eu vejo a estender-me os braços
Que Deus criou pra me abraçar a mim!


Tudo é divino e santo visto assim...
Foram-se os desalentos, os cansaços...
O mundo não é mundo: é um jardim!
Um céu aberto: longes, os espaços!



Prende-me toda, Amor, prende-me bem!
Que vês tu em redor?  Não há ninguém!
A Terra?  - Um astro morto que flutua...



Tudo o que é chama a arder, tudo o que sente,
Tudo o que é vida e vibra eternamente
É tu seres meu, Amor, e eu ser tua!


(Florbela Espanca)

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