sábado, 9 de julho de 2011

Apenas"Saudade", em Florbela Espanca


Noite de saudade

A noite vem pousando devagar 
Sobre a terra que inunda de amargura
E nem sequer a bênção do luar 
A quis tornar divinamente pura…

Ninguém vem atrás dela a acompanhar 
A sua dor que é cheia de tortura…
 E eu ouço a noite a soluçar! 
E eu ouço soluçar a noite escura!
Por que é assim tão ´escura, assim tão triste?! 
 É que, talvez, ó noite, em ti existe 
Uma saudade igual à que eu contenho!
Saudade que eu nem sei donde me vem… 
Talvez de ti, ó noite!… Ou de ninguém!…

Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!
(Florbela Espanca)

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